segunda-feira, 3 de outubro de 2011
Modigliani
Amar dói. Quem já amou sabe disso. Se não doeu é porque era apenas uma paixonite ou aquilo que convencionou-se chamar de "amor de verão". Porque existiu já com seu fim determinado.
Ontem assisti Modigliani, de 2004. Não conhecia a história do artista. A curiosidade me moveu e hoje devo continuar a busca por outro filme: Os Amantes deMonteparnasse, de 1958.
No filme de 2004 a atuação de Andy Garcia é de grande entrega, mas é uma pena a língua falada ser a inglesa. Isso sempre traz aquela casca de filme produzido a partir de um ideal norte-americano – mesmo que tenha sido produzido pela França, e o sotaque de alguns atores europeus deixa isso ainda mais evidente. Fora este pequeno desconforto, o filme ainda assim conta uma grande história. É romântico e reverencia a obra de "Modi" e sua grande e trágica história de amor.
Pelo tom de respeito não mostra a fundo o lado abissal de seu personagem, mas deixa traços para que possamos entender melhor porque tudo se desenrolou daquela forma.
Andy Garcia está muito bem no papel principal deixando espaço até para a atriz francesa Elsa Zylberstein roubar a cena quando está presente.
Sem estragar a história pra quem ainda não viu, só digo uma coisa, é muito triste ver o quanto pode se chegar ao fundo do poço e mais triste ainda ver que podemos arrastar alguém conosco. Então, vamos aprender com a história. Vamos viver melhor. Vamos amar com respeito. Vamos nos respeitar.
Nos minutos finais do filme não consegui conter minhas lágrimas. Tive que respirar fundo pra conseguir falar algo coerente frente ao fato do que aconteceu.
Só sei que já deveriam ter inventado a máquina do tempo. Eu iria longe para evitar uma tragédia como essa. Quem sabe assim ajudaria a criar uma nova linha do tempo, onde as pessoas acreditassem mais na força desse grande sentimento. Tentaria mudar esse sentido do amor ter que rimar com dor.
Ah, eu sei, soou piegas tudo isso, mas sentir esse bater forte no peito é bom demais. É viver a vida em modo pleno.
Certo ou não, Modigliani viveu essa plenitude. E Jeanne também. A nós resta aprender, respeitar e acreditar num amanhã melhor.
terça-feira, 20 de setembro de 2011
FOME DE PELÍCULA
Vinha numa vibe blockbuster horrorosa. De vem em quando caio nessas pq ainda os curto. Mas por sorte o filme japonês A Partida me devolveu a razão.
Dessa nova safra de filmes que realmente valem a pena, assisti outro chamado El Perro Bombom. Ambos filmes belos, sem as correrias loucas dos já cansados blocKbusters e suas fórmulas de bilheteria fácil.
Ainda gosto do cinema pipoca, mas o cinema de autor ainda é o melhor do mundo.
Amanhã posto no blog um pouco mais sobre ambos os filmes.
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
MEU DIA CINZA
Caiu de novo na minha playlist um velho e melancólico trabalho do artista Damien Rice.
Mais conhecido por The Blower's Daughter, da qual Ana Carolina e Seu Jorge fizeram versão, o cd "9" é melancólico ao extremo, sofrido e quase (?) depressivo.
Mas não deixa de ser também belo em suas nuances acústicas.
Pro dia de hoje combina como uma luva.
O ar mais úmido e o céu cinza parecem pinçados das melodias do álbum.
Em minha cidade, Uberlândia, passamos meses sem uma gotinha de chuva, diferente da cidade do músico, Londres, onde umidade é algo constante.
Ouvir o cd me leva a diferentes ambientes da memória: dos amores passados, dos términos rasgados, das amizades eternas e da paixão presente.
São lugares hoje imaginados, criados na essência de suas histórias mas pintados com as cores extras da imaginação.
Falar em cores é contraditório mas até num dia cinza há o vermelho da ira ou o amarelo da apatia.
Em mim, hoje, já não há a tristeza pesada que me aconteceu em outras épocas.
E música é sempre fundamental em qualquer processo de aprendizado e cura.
No delicado trabalho de Rice, nem tudo transmite tristeza.
Sua música fala para o homem de hoje, algo que parece lhe fugir: o estado de contemplação.
Há quem ironize a folha caindo da árvore, que não encontre graça no cachorro do vizinho correndo em seu gramado, que ache que um simples sorriso pode sugerir mais do que apenas simpatia, que abraçar alguém pode até doer.
Me lembro, há um tempo, quando um amigo veio me abraçar. Seu abraço era congelado, carente, duro. Alguém já lhe deu a mão em comprimento e você sentiu como se tivesse apertando uma ripa de madeira? Foi assim que senti seu abraço.
Por favor. Parem, saiam do quarto cinza. Ele nada tem a ver com o cinza do belo dia que faz lá fora. Nunca tive preconceito com estilos de vida, apenas com as pessoas cinzas. Por mais que o dia cinza seja belo, uma pessoa que não transmite luz nunca vai desabrochar, nunca entenderá a alegria de acordar numa manhã com céu nublado, com frutas maduras caindo no quintal
e com a promessa de um abraço quente e apertado na hora de deitar.
Damien Rice traduz isso em suas músicas. Talvez querendo exorcizar este sentimento que atemoriza nosso tempo, o de falhar. Pena. Afinal nunca fomos e nunca seremos perfeitos. Mas um aperto de mão pode ser mais do que sua apatia deixa transparecer.
“Eu cubro meus olhos, e tudo que ainda vejo é você.”
Vamos lá. O dia segue. E meu amor só aumenta.
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
O Cigarro, o Tempo e a Dopamina

Relendo alguns posts antigos achei um onde falava da luta para largar o vício do cigarro.
Na época o esforço foi recompensado com a falha e de lá até o começo deste ano foram muitos e muitos maços de Marlboro, the best of all cigarretes. Rsrsrs.
Em fevereiro recomecei esta LUTA. E é uma grande luta mesmo para largar o danado do vício. No hábito havia um grande e inegável prazer. E foram muitas e muitas horas de filmes, quadrinhos, web, risadas, encontros, festas, trabalhos, conquistas e tensões nestes 20 anos de fumante. FORAM! Conto, agora, 6 meses sem nenhuma recaída. A quantidade de coisas que fazia, associadas ao cigarro, no início diminuíram, afinal TUDO estava ligado a ele. Parecia que o ser inteligente e vivente era ele e não eu. Era como se o hábito fosse o sol e eu a coitadinha da terra esperando pra ser iluminada. Mas isto tem mudado. Com a vitória de chegar ao sexto mês tendo resistido fortemente quase que me dá o direito de poder acender um Marlboro pra comemorar. Arráááá. QUASE. Entendeu como funciona a coisa? Hehehe
No dia que virei para pegar um cigarro na mesa de minha casa entendi como funcionava realmente o danado do vício. Já tinham se passado 3 meses de abstinência, NÃO havia nenhum cigarro na minha casa e eu, distraído e preparando um filme para ver no computador, me virei pra pegar o maço. Mas que maço?!? Foi um susto. Mas ajudou a me convencer a largar mais ainda o bicho. Supostamente sou eu que mando neste corpo aqui e não somente minhas sinapses, hehehe.
Foi legal ter relido o post sobre o cigarro. Acho q estou aguentando bem a falta e escrever aqui ajuda a realmente perceber o benefício de não fumar. Hoje consigo correr 30 minutos sem morrer, subo 3 andares sem meu coração vir até a boca e prazeres como o sexo e a comida foram revitalizados. Agora é seguir pois foram SÓ 6 MESES e a vontade ainda existe. Dizem que é pra sempre. Mas é bom saber q o vício vai mas as histórias ficam. Em breve um post sobre como estou redescobrindo as coisas que fazia associada ao vício na dopamina que o cigarro libera no corpo. Boa semana a todos!
O Tempo
O tempo, infalível tempo, às vzs parece caber em espaços minúsculos e outras vezes em distâncias inexoráveis. E... Hmmm... Não. Vamos começar de novo. Não há explicação nem desculpa por ter abandonado isso aqui. Me choquei ao ver que meu último post foi ano passado e justamente falando do fim de Lost e de outras séries. De lá pra cá muito aconteceu. Lost acabou mesmo. Walking Dead apareceu. Game of Thrones se tornou hype e até a DC Comics zerou seu universo. Então, passado o susto inicial, vamos ao que interessa. Criar um novo blog poderia ser mais interessante, mas não gostaria de perder os posts aqui criados. Mas há a necessidade de fazer um reboot até em minhas ideias, assim como a DC fez. O que fazer? Reviver o morto ou dar à luz a algo novo?
Ora bolas, vamos seguir com este mesmo. Afinal o conteúdo não muda, só eu que ando mais estranho. Hehehehe.
Ora bolas, vamos seguir com este mesmo. Afinal o conteúdo não muda, só eu que ando mais estranho. Hehehehe.
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Enfim, um perdido
Lost acabou. Heroes acabou (ainda bem). E as séries americanas não vão nada bem. Após o fim de Lost, muitas são as séries que vão tentar repetir a fórmula instaurada pelo fenômeno Lost. Elenco de diversas etnias vão surgir. Personagens com um passado desconhecido interligando-os. Misticismo, ficção, aventura, drama e ciência deve ser componentes certos nas estréias do ano que vêm. Ops, mas não é assim há muito tempo? Mais ou menos. Uma vertente grande dos anos 90 que ainda reverbera por aqui são as comédias de situação e os dramas médicos. Vide Globo que tenta, ainda, criar uma série com vida e personalidade própria, mas que sempre cai nos clichês já usados poer outros. A Vida Alheia tem sua Miranda e o domingo seu Greys Anatomy a la ER. A Força Tarefa talvez tenha sido o que mais tenha sofrido com esta possível comparação, mas a série, muito bem produzida, infelizmente chega ao fim este ano. Nos EUA a tentativa de criar o próximo novo fenômeno multimídia deve continuar pelo menos mais uns 5 anos.
Flash Forward, que tentava tudo isto, foi cancelada no fim da primeira temporada, num fim(?) absurdamente parecido com a vida real. Uma bomba.
Na semana passada estreiou a série PERSONS UNKNOW, alardeada em todos os cantos como um encontro entre Jogos Mortais e Big Brother, traz na fórmula o que já sabemos. No elenco, multiracial, personagens de passado desconhecido são sequestrados e levados a uma cidade-fantasma no meio do nada. Não se conhecem, não podem sair de lá e algo diz que a situação vai piorar. Ainda é cedo, começou com promessa de ser interessante por ter na criação o autor de "Os Suspeitos", pelo qual levou o Oscar. É seguir,a final, o vazio deixado por Arquivos X foi suplantado por outra série que deixou um buraco negro. Vai ser difícil sair desta ilha.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
CÁPRICA
Cáprica é definitvamente um drama. E também uma ficção científica. Os elementos da ficção são diversos: crenças em vários deuses, terroristas de um deus único, inteligência artificial, mafiosos, luta entre castas, dramas familiares, a luta contra a morte ou a busca pela vida eterna. São elementos fortes pontuados por alguns dilemas morais: a versão virtual de uma pessoa é tão real quanto a física? Você traria de volta da morte alguém muito especial, mesmo que fosse apenas numa realidade virtual? E se esse alguém pudesse ser revivido em outro corpo, você o traria de volta? Enquanto agora questionamos o aquecimento global, se desenham na tela do seriado Cáprica dramas futuros que em breve viveremos. Afinal, eternizar sua presença num universo infinito, faz parte do drama do ser humano, que criou em si a semente de Deus, ou Deuses como o seriado propõe.
Afe, filosofia rasa a minha hoje.
Mas o seriado é legal, tem ar cool, atores bons e, pelos 3 primeiros episódios, tem também grana no caixa para investir em CGI e cenários futuristas. Cáprica poderia ser apenas o que se propõe na sinopse original, a origem dos Cylons e do universo Battlestar Galactica. Mas se manter o ritmo e se aprofundar nas questões de sua trama, pode ganhar seu próprio séquito de fãs e construir uma nova mitologia televisiva.
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